Domingo, 2 de Agosto de 2009

Exercício III (2009)

Quando as tropas de Junot chegam a Alpiarça

o capitão Villepin junta-as na praça

e com seu vozeirão feroz não disfarça

o quanto odeia os portugueses: - Que raça!

Nas ruas não há vivalma nem sinal da populaça

- Onde se meteu este povo? Onde anda a gentaça?

Seus olhos de águia estancaram numa vidraça

onde se afilavam os rostos da mulheraça.

Villepin dirigiu-se ao casebre de argamassa

vislumbrou uma bela e encantadora louraça

e na sua voz de trovão perguntou: - Que se passa?

Ao seu sotaque carregado, a moça achou graça

e respondeu afoita: - Nada digo, faça o que faça!

O capitão enfurecido fez-lhe um gesto de ameaça

ela não se intimida: - A nossa vida já é uma desgraça!

Villepin admira a coragem da menina "olhos de garça"

e pede-lhe gentilmente um pouco de pão, ela dá uma carcaça

- É tudo o que temos para dar, a comida é escassa!

Mas Villepin é um homem avisado e vê a fumaça

ouve o crepitar da lareira e cheira a carne que assa

e sorrindo diz: - Ma cherie, eu não tolero trapaça!

Ele sente que a moça desarma: - Não há por aí vinhaça?

Ela sorri e responde: - Só se vós beberdes pela cabaça!

Nesse instante ouviu-se um grito, tremenda arruaça

Villepin vê um soldado atrás de uma moça descalça

como um predador atrás de uma presa que caça

depressa a alcança e com seus fortes braços a enlaça

a moça tenta livrar-se do soldado de farta bigodaça

mas este depressa é ajudado por um comparsa

a menina de Villepin murmura: - Vai haver desgraça!

E grita para o capitão francês: - Acabe com esta farsa!

- Quoi? - pergunta Villepin quase enfeitiçado: - Ah ça!

E grita para os soldados com a sua voz que trespassa

agradecida, a moça loira serve-lhe vinho numa taça.

 

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publicado por manu às 10:59
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10 comentários:
De rosafogo a 3 de Agosto de 2009 às 00:42
Que surpresa, aqui vim encontrar, que bela história
Plus belle que ça, il n'y a pas!
Será? Estou destreinada, ou será ne.
Pois é Manu, eu também armada em tal Villepin (aldeã) também andei em festanças,com vinhaça e carne assada, parece-me que era mais frita, servida por um moreno que não falava Français mas quase, quase,
alentejano.
Eu já tinha ideia de lhe falar do seguinte:
Tão maravilhosamente que o amigo escreve, porque
não escrever um romance histórico (ou não), a poesia
é sempre a poesia e isso escreve deliciosamente, mas, se tentasse sei que conseguiria, já concluí
que tem imenso talento para todo o género de escrita.
No seu outro blog é o que se sabe, sempre aquela boa apresentação, a poesia nem se fala... Ah, lá que eu gostava, gostava! Fico na expectativa.

abraço, boa semana
natalia
De manu a 3 de Agosto de 2009 às 18:43
Olá Rosafogo! Em primeiro lugar, obrigado pelas palavras sempre cheias de simpatia, já lhe disse como são motivadoras. Em segundo lugar, minha amiga, na verdade tenho guardados em pastas quatro romances inacabados que por uma ou outra razão empecaram. Uma vez por outra, releio-os e tento encontrar soluções para os problemas que as histórias me colocaram. Talvez quando tiver mais disponibilidade de tempo, eu volte a pegar neles a sério, e levá-los finalmente até ao fim. Veja a amiga que eu até comprei um curso de escrita criativa (dois volumes) para ver se conseguia aprender formas de contornar os obstáculos que as histórias, só por si, me foram colocando. Quem sabe... um dia talvez acabe um...
Abraço grande
De rosafogo a 3 de Agosto de 2009 às 22:29
Se não fôr eu a dar um empurrãozito a estes meus amigos, com as minhas palavras que são verdadeiras,
e teimosas,nunca mais surge a leitura cá fora. Eu sempre tenho razão, agora força Manu, esse romance tem que aparecer.
Quem sabe... um dia....
já me diz alguma coisa, já fico alerta, não sendo môsca
tenho que aguardar.

Um abraço
natalia

De manu a 4 de Agosto de 2009 às 21:51
Olá Rosafogo! Como lhe disse, a escrita é uma paixão que eu próprio criei e desde que possa escrever fico satisfeito. Os romances... logo se vê o que acontece, por agora continuam à espera que surjam as melhores soluções para desatar os nós em que se encontram. Abraço grande.
De MiguelBeirão a 3 de Agosto de 2009 às 13:03
Amigo Manu, tuas palavras sensibilizaram-me, (tudo dito),sem mais palavras de agradecimento, pois acho que a melhor forma de agradecer é trazer de volta a Balada, que não é minha mas sim de nos todos.

Em frente amigo

novo endereço da Balada

http://baladadaliberdade@hotmail.com
De manu a 3 de Agosto de 2009 às 18:34
Amigo Miguel!

Mas que tremenda satisfação
é poder voltar a contar contigo
a tua escrita fazia falta, irmão
e a tua amizade também, amigo

Bem-vindo de volta à tua casa e à tua familia da blogosfera. Forte abraço.
De Utopia das Palavras a 3 de Agosto de 2009 às 23:16
A Natália diz verdade
O teu rio corre cheio
Margem imensa de criatividade
Tua entrega é meu enleio!

Manu...vais surpreender-me mais ainda?????

Beijo Maior

(meteram-me noutra "alhada", passa por lá quando quizeres, http://entresonosonhoii.blogspot.com)
De manu a 4 de Agosto de 2009 às 21:58
Olá Ausenda!

A paixão pela escrita, já conhecias
sabes quão importante é para mim
ao mundo tenho mostrado a poesia
os romances, só quando chegar ao fim

Até a mim próprio eu me surpreendo constantemente.
Já vi as fotos e apareço em duas delas, só é pena que a Rosafogo esteja de costas em ambas. Só não entendo porque dizes que te meteram noutra alhada...
Beijo Grande
De rosafogo a 5 de Agosto de 2009 às 23:30
Olá amigo

Cá estou de novo para lhe dizer que também vi as fotos, ainda bem que não fiquei a estragar a foto ao Sr.Poeta, mas olhe a minha filha está muito bem de costas comprando o livro, gostei.
Sabe ando um pouco desolada, amanhã vou mesmo
saber o que se passa com os livros ninguém me responde nem ao telefone nem aos emails enviados, ainda não os recebi será que estou esquecida?!

Abraço, desculpe o desabafo


De manu a 6 de Agosto de 2009 às 10:33
Olá Rosafogo! A primeira coisa que pensei ao ver as fotografias foi que a nossa conversa estava a ser tão agradável que nem prestávamos atenção ao que se estava a passar em redor. As boas conversas têm essa caracteristica; alheamento do demais.
A amiga sabe que está à vontade para deixar os desabafos que quiser, afinal as amizades são amplas e não se resumem a conversas de tema único. Aperte com eles amiga, estão em falta consigo. Abraço grande

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