Domingo, 27 de Setembro de 2009

A José Carlos Ary dos Santos

De ti poeta sem papas na língua

nasceram poemas sapatos

poemas espanadores

poemas silêncios

poemas ruidosos

poemas gritados

poemas sussurrados.

De ti poeta sem medos

nasceram poesias punhais

de lâminas afiadas

lâminas de serrilha

que feriram sem matar.

De ti poeta sem egoísmo

nasceram poemas louvores

poemas homenagem

poemas devoção.

De ti poeta sem terra

nasceram poesias respeito

poesias admiração

poesias amizade.

Por ti poeta sem tempo

nasceu a minha afeição

por um conceito maior

que revelaste ao mundo.

Como tu poeta da transparência

também eu quero ser poeta

quero ser tudo o que disserem

mas...

"poeta castrado... não!"

 

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publicado por manu às 18:00
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11 comentários:
De Breizh da Viken a 27 de Setembro de 2009 às 21:45
Olá Manu,

Para mim já és poeta... consegues "poetar" em qualquer registo, sobre qualquer tema... só te falta a fama... mas acredito que já tens um pedaço dela!


beijo bom
De manu a 28 de Setembro de 2009 às 16:42
Olá! Não persigo a fama, contentava-me com os 15 minutinhos de glória. Beijos
De Utopia das Palavras a 28 de Setembro de 2009 às 16:50
Manu

Sabes o quanto esse poeta me diz...! Tive o previlégio de o conhecer pessoalmente e amo a sua poesia, robusta, sentida, resisten, pecadora, provocadora, convicta e tão ternurenta também!
É para mim uma inspiração!
Obrigada por o lembrares aqui, num poema bonito!

"...Foi ódio e foi amado
Tão bem cantado por tantos
Poeta da raiva, inconformado
Sentido das palavras, Ary dos Santos..."

(in "A Força das Palavras") Ausenda Hilário


Beijo Maior
De manu a 28 de Setembro de 2009 às 22:59
Olá Ausenda! O mais engraçado é que ao escrever este texto, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi que ias gostar de ver este poeta aqui lembrado. Intuições minhas. Espero que tenhas gostado também do meu último post no Manulomelino. Este meu poema surgiu após ter lido o livro que sugeri. Beijo Grande
De Mírtilo MR a 28 de Setembro de 2009 às 22:49
Amigo Manu:

Ultimamente, o tempo por vezes escasseia, não dá para fazermos tudo, esse omnidominador abstracto Senhor que é o Tempo, e só hoje passo por aqui para ver mais uma maravilha poética, neste caso dedicada a essa tão grande figura da poesia portuguesa contemporânea que foi Ary dos Santos, poeta, como o Manu diz no seu poema, do tudo e do nada, sobretudo poeta do desassossego e da raiva perdidos noites dentro por essa nocturna Lisboa, mas «poeta castrado... não!». Isso ele não foi.

Parabéns pela memória de Ary dos Santos e pelo magnífico poema do Manu.
Um abraço.
Mírtilo
De manu a 28 de Setembro de 2009 às 23:06
Amigo Mírtilo! Compreendo perfeitamente o que diz ao referir a escassez de tempo, sofro do mesmo.
Em relação a este meu poema posso dizer-lhe que surgiu após ter lido um livro do poeta em questão, intitulado "Obra poética". Embora não conhecesse a totalidade da sua obra já tinha uma ideia muito concreta dos poemas de Ary dos Santos por ouvir muitas das músicas cujas letras foram de sua autoria. Incontestávelmente um dos melhores poetas da contemporanidade, como refere. Forte abraço.
De poetaporkedeusker a 30 de Setembro de 2009 às 17:57
Bravo! Venho dar os meus parabéns por esta homenagem, Manu!
Um grande abraço!
De manu a 1 de Outubro de 2009 às 01:28
Olá poetisa! Na minha memória tenho uma imagem deste poeta a declamar "Poeta castrado...não" com um copo de gin na mão. Sempre associei a sua poesia a uma certa irreverência e acutilância. Abraço grande.
De poetaporkedeusker a 1 de Outubro de 2009 às 11:54
Sim, sim! Também eu! Sempre gostei muito do Ary!
Abraço grande!
De rosafogo a 3 de Outubro de 2009 às 23:11
Hoje também me tem a ler este belíssimo poema, homenageando um poeta que eu também admiro, pela força, da sua poesia e pela força com que a declamava.
Também possuo a Obra Poética e de vez em quando
volto a ler, quando me dá saudade.
Também já tinha saudades dos seus poemas, mas hoje não abalo sem ficar tudo lido.

Desejo que esteja bem e feliz,

Deixo meu abraço, com desejo de bom domingo
rosafogo
De manu a 4 de Outubro de 2009 às 04:08
Olá Rosafogo! O meu tempo tem estado a ser escasso para tantas solicitações mas sempre arranjo um espaço para a poesia e para os amigos, mesmo às 4 da manhã. Abraço.

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