Sábado, 11 de Outubro de 2008

AMOR(2000)

 

 

Um fio de luz ilumina o meu caminho

a escuridão não me assusta no presente

mesmo caminhando aqui sozinho

não sinto falta do que está ausente

 

O fim deste longo percurso eu consigo ver

a distância diminui a cada passo que dou

a luz que o alumia não pára de crescer

e não hesito em ir vendado para onde vou

 

Quero algo que nunca consegui alcançar

que de mim toda a vida teimou em fugir

por isso não descansarei nem vou parar

até ter nas mãos aquilo que me fez vir

 

Desistir não é o verbo da minha preferência

tenacidade é o substantivo que me guia

teimoso é o adjectivo da minha resistência

o nome era mais uma porta que se abria

 

A ansiedade à muito que se desvaneceu

o futuro vem aí em todo o seu esplendor

o passado foi aquilo que me aconteceu

no pesente só se vê resquicios de dor

 

Alegria é sinónimo de tudo o que almejo

aventura é o sentimento que me excita

liberdade é um dos frutos do meu desejo

felicidade é a recompensa de quem acredita

 

Como é doce o sabor da maior das vitórias

que regalo ter nos lábios o gosto preferido

em comparação com outras coisas irrisórias

não há nada que eu mais tenha querido

 

Do que falo todos conhecem a essência

poucos são os que lhe dão o devido valor

é a palavra mágica da minha preferência

não podia ser outra senão a palavra AMOR

sinto-me: lamechas
sugestões: amem
publicado por manu às 21:12
link do post | comentar | favorito

O lobo(1992)

Balem de contentamento as ovelhas

que no prado pastoreio

vigio-as com esmero e cuidado

do lobo tenho receio

 

O Farrusco e o Serrote são os meus cachorros

que me auxiliam na empreitada

todo o cuidado é pouco

o lobo ataca pela calada

 

Por agora tudo está calmo e pacífico

não há razões para alarme

mas de um momento para o outro

o lobo pode fazer uso do seu charme

 

Estudo o terreno com muita atenção

Nada me pode escapar ao olhar

um pequeno descuido meu

e as ovelhas,o lobo pode atacar

 

Oiço um uivo familiar,um aviso do Farrusco

fico preocupado com o rebanho

todas as ovelhas ficam assustadas

eis um lobo de enorme tamanho

 

O Serrote ladra ferozmente

o lobo parece despreocupado

mas o que ele não sabe e desconhece

é que eu estou preparado

 

O lobo avança sem hesitações

nada intimidado com a minha presença

ignora o barulho do rebanho e dos cães

como é tremenda a sua indiferença

 

Ponho-o sob mira,não desvio o olhar

não posso deixar morrer uma só ovelha

preparo-me para a arma disparar

atinjo-o na cabeça perto da orelha

 

Ele tomba com grande estrondo

o mutismo no rebanho é enorme

mas é sol de pouca dura,tudo muda

quem manda mais aqui;é a fome

sinto-me: indiferente
sugestões: escrevam
publicado por manu às 15:52
link do post | comentar | favorito

TALENTOS(2008)

De blog em blog faço pesquisa

quero ler todos os poetas

sou dos que mais precisa

de ouvir a voz dos profetas

 

De verso em verso me alimento

de cada poema tiro uma lição

as rimas são o meu sustento

a poesia é a minha refeição

 

Com as palavras ganho alento

ganho nova vida e respiro

nos blogs vejo muito talento

e cada vez mais me admiro

 

São novos poetas desconhecidos

com muito para dizer e contar

uns mais sérios outros atrevidos

cujos poemas resolvem divulgar

 

A blogosfera é curto universo

para tanto talento esconder

aprendo mais com cada verso

do que uma vida inteira a aprender

 

Onde estão os olheiros da cultura?

porque têm os olhos vendados?

será que acham que não é altura

destes talentos serem revelados?

 

Estes profetas de génio e saber

não se podem nunca desperdiçar

e o mundo tem de conhecer

quem anónimo não deve ficar

sinto-me: admirado
sugestões: pesquisem nos blogs
publicado por manu às 15:24
link do post | comentar | favorito

Ser diferente(1996)

 

Altivo sol que ilumina este meu mundo

Dá-lhe outro brilho que deste não gosto

Oferece-me outra luz,outra tonalidade

Desembaraça-me deste funesto desgosto

 

Que escuridão é esta que me embala?

Porque razão não vejo com clareza?

Impõe-se o breu nesta mísera existência

Apela-se ao caos,destitui-se a beleza

 

Quem me ampara neste momento de dor?

Quem se apieda deste sonoro pranto?

Venham a mim os braços do conforto

Que aos meus gritos acuda um belo canto

 

Onde está a tranquilidade que procuro?

Onde se esconde a paz que tanto anseio?

Livrem-me destas trevas que me rodeiam

Este negro brilho não quero ter e receio

 

Mil demónios habitam este meu corpo

Dele se alimenta o desespero e o medo

Quero fazer parte de uma outra história

Quero pertencer a um outro enredo

 

Abram os olhos e vejam o que eu vejo

Não me deixem sozinho neste inferno

Quero ter um fim diferente,um outro destino

Sem pretender viver sempre,ser eterno

 

Venha a mim a segurança de um abraço

Beijem a minha face sedenta de carinho

Quero viver um fado distinto e melhor

Quero mudar este percurso,este caminho

 

Não sinto alegria no que faço ou realizo

Tenho pena de não ser forte como a maioria

Queria ter em mim o dom da coragem

Ser diferente era tudo o que eu queria

 

 

sinto-me: diferente
publicado por manu às 15:01
link do post | comentar | favorito

SOLIDÃO(1996)

 

Solidão que me aprisiona sem tréguas

Neste mundo de infâmia e traiçao

Aquela que amo está a mil léguas

Do meu despedaçado coração

 

Neste dia de nefasta infelicidade

Longe de mim tenho quem amo

Está tão longe como a eternidade

E não me ouve quando a chamo

 

Oh! perpétua tristeza que me consome

Liberta-me das tuas longas tenazes

Dá-me a alegria de que tenho fome

E arrepende-te do que me fazes

 

Oh! loucura que teimas em habitar

Nesta minha quase insana mente

Não me permites ter quem amar

Não me autorizas a seguir em frente

 

Mais um ano, mais um aniversário

E eu continuo sem ninguém a meu lado

Não possuo o que me é mais necessário

É esta a minha vida, é este o meu fado

 

Mas a esperança eu não quero perder

No futuro deposito toda a minha fé

Não ficarei sozinho até à hora de morrer

E então para consolo morrerei de pé

sinto-me:
publicado por manu às 14:31
link do post | comentar | favorito

A Cerzideira(1992)

 

 

Aos pés da mulher que trabalha como cerzideira

está um novelo de lã e um gato em plena brincadeira

como está contente esse gatinho

a brincar com o novelinho

 

Coze com brio oh cerzideira! não te deixes desleixar

tens uma costura a fazer não te podes enganar

como está contente esse gatinho

a brincar com o novelinho

 

Coze oh cerzideira! não te distraias com o bicho

tens uma encomenda nas mãos não um capricho

como está contente esse gatinho

a brincar com o novelinho

 

Cerze oh cerzideira! nunca pares de cerzir

eu sei que o que se passa a teus pés te faz rir

como está contente esse gatinho

a brincar com o novelinho

 

Cerze oh cerzideira! que a cliente está a chegar

já estás atrasada no trabalho, tens de acelerar

como está contente esse gatinho

a brincar com o novelinho

 

Remenda oh cerzideira! põe esse toque especial

que só tu sabes fazer e fazes de forma natural

como está contente esse gatinho

a brincar com o novelinho

 

Remenda oh cerzideira! faz um excelente trabalho

transforma em arte esse pedaço de retalho

como está contente esse gatinho

a bricar com o novelinho

 

Acabaste oh cerzideira! por fim a cliente chegou

o gatinho adormeceu e a brincadeira acabou

como estava contente esse gatinho 

a brincar com o novelinho 

sinto-me: recordado
publicado por manu às 14:17
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

ESCREVER (1988)

Não é um dom o que tenho

É apenas uma necessidade

Não é prestigio o que quero

Muito menos ter notoriedade

 

Preciso escrever regularmente

Em prosa,em verso,não interessa

Apenas pôr tinta num papel

E escrever o que a inspiração peça

 

Não tenho temas preferidos

Também não me refreio por tabus

Ponho por escrito o que quero

Ainda não me arrependi do que pus

 

A minha forma de falar é escrever

Mesmo não tendo medo de falar

Assim falo tudo o que quero

E ninguém me pode mandar calar

 

É a minha voz impressa no papel

Aquilo que depois se pode ler

Só não ouve quem não quer

Só não vê quem não quer ver

 

Escreva bem ou nem por isso

Não me preocupo nem um pouco

Pensem de mim o que quiserem

Chamem-me génio,parvo ou louco

 

Aqui quem manda é a caneta

Eu só lhe transmito o que sinto

Muitas são as minhas verdades

E poucas as vezes que minto

 

Não escrevo para mais ninguém

Para além da minha pessoa

Escreva mal ou escreva bem

Para mim qualquer rima é boa

 

Uso verbos,substantivos e pronomes

Todos merecem o uso que lhes dou

Se algum dia deixar de escrever

Deixo mesmo de ser quem eu sou

 

Faço rimas mas não sou poeta

Escrevo mas não sou escritor

Amo todos os livros porque sim

Em tudo o que faço sou AMADOR

 

sinto-me: Animado
sugestões: leiam
publicado por manu às 20:11
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.Outubro 2011

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Licença poética - convite

. Vida (inédito)

. Incansável

. Parei o tempo

. Ad aeternum

. Convite a todos os que qu...

. Diz-me (2010)

. És aquela que mais amo - ...

. 2 ANOS

. Sê apenas criança (2010)

.arquivos

. Outubro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

.pesquisar

 

.links

.mais comentados

38 comentários
36 comentários
32 comentários
28 comentários
24 comentários
22 comentários
22 comentários
21 comentários
blogs SAPO

.subscrever feeds