Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Ciclo complicado (2009)

Há um cansaço que se acumula

e me impede de bem escrever

tenho trabalhado como uma mula

não será assim que vou enriquecer

 

Há um volume de trabalho inesperado

que não mata mas sempre me mói

fico um farrapo velho, meio saturado

não é assim que uma boa vida se constrói

 

Trabalha-se mais do que se devia

por orgulho, dá-se forte e no duro

trabalhar assim só pode ser heresia

não é assim que vou ter melhor futuro

 

Estou de rastos, a precisar descansar

e estamos a meio da semana, ainda

o fim deste ciclo, não o vejo chegar

e pelos vistos não é este sábado que finda

 

 

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publicado por manu às 23:35
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Terça-feira, 24 de Março de 2009

Fronteiras (2009)

Navego em águas turvas

sou marinheiro solitário

ando ao sabor da maré

sem norte que me oriente.

Viajo neste breve mar

sem bilhete comprado

sou passageiro clandestino

único membro da tripulação.

Cruzo os mares de lés a lés

faço o meu trajecto circular

vou de pólo em pólo sem cruzar o Equador.

Sou mais que uma ilha

em redor só vejo água

vivo num lugar delimitado

vivo num mundo limitado

faço fronteira comigo próprio.

 

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publicado por manu às 23:26
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Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Não sai nada (2009)

Hoje escrever está a ser complicado

não consigo fazer nada inspirador

talvez seja por estar assim fatigado

estou sem chama, nada inovador

 

as rimas saem perras, sem nexo

não escrevi nada que se aproveite

ser criativo pode ser complexo

não escrevi nada que me deleite

 

tentei escrever sobre o amor, nada

tentei então ironizar, não deu certo

depois tentei metáforas, saiu borrada

hoje a minha inspiração é um deserto

 

um vácuo de ideias na minha cabeça

é sinónimo de alguma conflituosidade

como eu, não há quem me conheça

tentarei amanhã uma nova oportunidade

 

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publicado por manu às 22:05
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Domingo, 22 de Março de 2009

Exercício II (2009)

Caminho ligeiro pelas ruas desta nossa Lisboa

cruzo-me com toda e qualquer pessoa

este que tosse, aquele ali que se assoa

gente de Alfama, Graça, Alvito, Madragoa

gente simples numa cidade que não destoa

onde o silêncio nem na noite ecoa

há quem ande perdido ou simplesmente à toa

ouve-se um ou outro grito que ressoa

não pode ser coisa boa

uma mãe defende o filho como uma leoa

ataca o assaltante e não lhe perdoa.

 

Há quem coma peixe frito com broa

para sobremesa uma suculenta meloa

como digestivo uma voz que fado entoa

uma pomba branca no céu voa

no rio navega uma frágil canoa.

 

Cuidado pescador com a sua proa

não estás numa regata na lagoa

olha que esse petroleiro te abalroa

se afundas, que vais dizer à tua patroa?

 

Aquela que em tua casa é rainha sem coroa

aquela que a tua cevada matinal coa

desde o teu regresso de Goa

aquela que por ti eternamente se magoa

e no mercado, o que pescas, apregoa

na sua voz de varina que tão bem soa

aquela a quem tu dedicaste a singela loa

e reza para que a tua vida não se escoa

a tua morte talvez lhe doa

evita, portanto, que essa noticia a moa

e alguém lhe diga: " O seu marido amou-a"

 

 

 

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publicado por manu às 23:55
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Desculpa O'Neill (2009)

Manhã de nevoeiro, dia soalheiro

diz o nosso povo e diz muito bem

pego no meu O'Neill como parceiro

os dois e absolutamente mais ninguém

 

saio de minha casa ao final da manhã

vou passear em busca de tranquilidade

a semana é dura, preciso da mente sã

caminho pela capital cheio de vontade

 

almoço na famosa rua do Arsenal

rua com lugar na nossa história

houve Abril que podia correr mal

esse episódio tenho-o na memória

 

após o almoço continuo o passeio

pela Lisboa mais castiça e bairrista

não sou puto novo, conheço o meio

caminho com segurança, calculista

 

paro no jardim do Príncipe Real

sento-me para poder descansar

folheio o meu parceiro genial

poesia de O'Neill para pensar

 

o destino não quis o meu sossego

a pretexto de um cigarro fui interrompido

levanto a cabeça e vejo um "labrego"

mais "carocho" só estando entupido

 

negado que foi o cigarro que pediu

logo o valente puxou a navalha

então pensei "Ora onde já se viu?"

"A destreza e estupidez deste canalha"

 

pouso o O'Neill no banco do jardim

olho-o nos olhos e esboço um sorriso

"Tens a certeza que isso é para mim?"

mas o "carocho" não tinha juízo

 

avançou cambaleante na minha direcção

navalha em riste como um espadachim

ainda me tocou ao de leve, de raspão

mas demasiado lento para mim

 

um puto com metade da minha idade

a tentar fazer-se passar por valente

fiz com que perdesse noção da realidade

ainda deve estar com o corpo dormente

 

ainda lhe disse para deixar de ser herói

porque a coisa podia correr-lhe mal

ele não acreditou, fiz-lhe um dói-dói

se tiver juízo ainda passa no hospital

 

estamos desgraçados ó minha gente

com esta criminalidade importada

polícia não há, é presença inexistente

e o cidadão defende-se à porrada

 

o infeliz também teve muito azar

com o maluco que hoje encontrou

talvez na próxima pare para pensar

já que desta vez ele não pensou

 

o "carocho" é símbolo da degradação

que já conheço há muito, de longa data

só não sabia da minha real condição

morei 17 anos num bairro e lata

 

ainda agora ele começou a aprender

o que custa a vida de pobre desgraçado

já eu há muito tento, em vão, esquecer

na universidade da vida fui diplomado

 

assim terminou mais um passeio

desculpa O'Neill por não te ler

acabei agora o banho, olha o asseio

e sobre este dia tinha de escrever

 

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publicado por manu às 21:14
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Assim me dou (2009)

Tenho uma paixão e não guardo segredo

tenho na veia palavras rubras que correm

e não me incomodo ao sangrar

sou dador de versos que partilho

sentimentos que vos ofereço

sou um livro aberto.

Sou poesia ou talvez não

dou o que quero e posso

letras, palavras, frases, versos, ideias.

Sou uma história que relata

emoções à flor da pele

sentimentos na ponta da língua.

A minha voz é muda e ecoa em vossos olhos

vocês lêem os meus lábios

ficam com uma imagem do que sou

ficam com uma ideia do que quero

ficam a saber o que penso.

Faço da poesia o meu grito de revolta

escrevo a minha presença no mundo

rasgo-me em pedaços de sentido

dou-me retalhado mas compreensível.

Assim deixo ao mundo o meu legado

herança maior do que a que me foi deixada

tudo isto partilho e vos deixo

sem testamento ou últimas vontades.

 

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publicado por manu às 09:04
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Sábado, 21 de Março de 2009

SOU V (2009)

Sou produto inacabado, incompleto

de uma vida aculturada em excesso

falta uma peça do meu puzzle.

Sou uma construção bicéfala

homem e sensibilidade num corpo

objectivos por concretizar

complementaridade que procuro.

Sou tijolo sem argamassa

instabilidade emocional

pretérito do que ainda quero.

Sou homem por essência e nascimento

com necessidades reveladas à exaustão

sou sensibilidade por educação

por paixão enraizada desde o berço.

Sou homem pela poesia que leio e faço

sou verbo da minha própria vontade

sou letra de uma palavra por dizer.

Sou vogal de um poema sem métrica

sou sílaba tónica da experiência

sou pontuação de um texto por escrever.

Sou sensibilidade tardia sem prémio

apenas metade por imposição

sou YIN sem YANG.

Sou filho da inspiração e dou asas à poesia

sentimentos na ponta da caneta

sentimentos reais expressos no papel

revelação do que sou.

Sou apenas homem e sensibilidade

defeito e virtude

sou realidade e espelho invertido

 

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publicado por manu às 13:57
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