Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Reflexão (2009)

Neste oceano emocional em que navego

dou tudo de mim, assim me entrego

mesmo acabando sempre magoado

e o barco afunda, isso eu não nego

nem vejo superfície, fico como cego

e na imunda lama estou atolado

 

A vida é bem cruel, comigo é ruim

sempre este fado triste, sem fim

que teima em não me abandonar

não haverá outro rumo para mim

que não me magoe tanto assim

e me deixe ao menos respirar?

 

Tanto sofrimento eu não mereço

a continuar assim, ainda enlouqueço

se é que já não estou louco

pela vida pago um elevado preço

e sei que assim não enriqueço

mas também me contento com pouco

 

Talvez seja esse o meu grande mal

contentar-me em ter apenas o trivial

andar pouco acima deste chão

talvez precise de um corte radical

ser menos colectivo, mais pessoal

e apenas a mim dar toda a atenção

 

Este texto foi escrito no dia 2 de Junho e com ele inicio a publicação dos textos escritos durante a minha ausência da blogosfera 

 

 

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publicado por manu às 20:27
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Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Viagem (2009)

Início de viagem, nova caminhada

eis um novo ponto de partida

uma vida que se quer reflectida

começar do zero, começar do nada

mudança há muito requerida

experimento a vida invertida

farto de tanta tentativa falhada

 

Finalmente inicia-se a viagem

incerteza de um rumo certo

afastamento para lugar concreto

acto audaz, de pura coragem

ansiedade que de mim liberto

viajante incógnito, secreto

na vida faço nova abordagem

 

Não fujo da vida, apenas a enfrento

tento alcançar satisfação

dar um bom uso à razão

e aproveitar o momento

revendo a minha situação

reflectindo na minha condição

e exorcizando um pensamento

 

Na minha vida mando eu

estando certo ou errado

não sou produto de mercado

que na feira se vendeu

por um mísero trocado

com preço inflacionado

sem o gosto que prometeu

 

Sou um ser de carne e osso

humano até à profunda raiz

tento na vida ser feliz

mas ainda me dista um fosso

obstáculo de forte matriz

não o pedi nem nunca o quis

mas estive no fundo do poço

 

Tento o meu lugar ao sol

quero a minha vida melhorar

mesmo que só consiga andar

a passo lento de caracol

a vida quero aproveitar

e dela poder realizar

o que realizou Alves Redol

 

Agora que estou em liberdade

sou eu quem controla a vida

que já dava por perdida

no sufoco da grande cidade

quero voltar a viver

com a vida me comprometer

e deixar de sentir saudade

 

Este desejo é só meu

quero e vou ser egoísta

dar ares de grande artista

agnóstico, sem religião, ateu

sem crenças nem valores

nem tampouco fazer favores

como no passado aconteceu

 

Neste trajecto que não partilho

não quero saber de ninguém

desculpa estas palavras, mãe

hoje não sou teu filho

sou um homem renovado

corto aqui com o passado

e o resto é um empecilho

 

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publicado por manu às 19:54
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