Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Introspecção III (2009)

Expando meu olhar como asas de Condor

e voo sobre os corpos despidos ao calor

sem que meus olhos se detenham num só

dou liberdade a um pensamento triste

e pergunto: Será que a felicidade existe?

e da minha garganta apodera-se um nó

 

Cerro os olhos como um encolher de asas

o ar quente transforma-os em duas brasas

que se extinguem pelas lágrimas choradas

como dói saber toda a verdade da solidão

viver iludido por um vil futuro à condição

resultante de ter tomado as opções erradas

 

Mas não sinto remorso ou arrependimento

agi em consciência na hora e no momento

o meu destino já estava traçado de antemão

eu sei que desejei uma vida muito diferente

e os desejos não se concedem a toda a gente

muito vivem a vida inteira sem realização

 

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Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Quem me dera (2009)

Lá no alto céu, um sol sorri brilhante

reflecte-se na água, glória ofuscante

beleza natural que a vista encandeia

em amenas águas do Atlântico oceano

deito o meu olhar invejoso, humano

e nesta minha mente nasce uma ideia

 

Quem me dera ser um peixe migrador

que corre mundos em busca de calor

com apenas uma urgência que motiva

encontrar o rumo da terra prometida

até à morte, lutar unicamente p'la vida

e morrer no meu povoado, praia nativa

 

Quem me dera ser uma ave e poder voar

correr os céus num bater de asas regular

ser diferente como foi o Capelo Gaivota

reinar nos sete céus durante a Primavera

subir ao ponto mais ilustre da atmosfera

e poder poisar na mais recôndita ilhota

 

Quem me dera ser tudo menos humano

viver em sintonia com as estações do ano

e alimentar-me por necessidade, instinto

queria ser assim neste preciso momento

dar sequência a este meu triste lamento

perdoem-me, mas é assim que me sinto

 

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Quarta-feira, 29 de Julho de 2009

Fado II (2009)

Dia após dia, a mesma luta diária

tudo por um objectivo especial

em busca de boa vida, normal

tentar aumentar a conta bancária

 

Mas o pão aumenta todos os dias

e o dinheiro é cada vez mais curto

por isso muitos se dedicam ao furto

tudo vai piorar, não vejo melhorias

 

É cada um por si e fé na sua manha

atropelos constantes, desumanidade

acabou a era da terna solidariedade

até por ser pobre se faz campanha

 

Atenção que o pior ainda está a vir

o que nos contam é metade da missa

olho por olho, é o futuro da justiça

quem não actuar assim, pode fugir

 

Viver são e seguro como no passado

vai ser apenas e só uma real utopia

a esperança será apenas melancolia

assim será porque é nosso este fado

 

É cruel o mundo que aqui descrevo

que fazer quando a realidade é esta?

para quem aldraba vai ser uma festa

já chega! Dizer tudo não me atrevo

 

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Terça-feira, 28 de Julho de 2009

SOU XII (2009)

Sou apenas e só um murmúrio de vento

elementar brisa, quiçá dotada de talento

simples em qualquer situação da vida

sou bonança constante, tranquilidade

digo apenas o que sei com sinceridade

eu me disciplinei, não tenho outra saída

 

Mas também posso ser intenso vendaval

passar da acalmia a tempestade tropical

dependendo exclusivamente das situações

apesar de ser difícil assim ficar, acontece

converto-me em furacão, o sangue aquece

então nasce em mim a fúria de mil tufões

 

Como uma força da natureza, destruidora

após a cólera volta a calma apaziguadora

até parecendo que nada especial se passou

tudo regressa ao início, fico muito sereno

retorna então o meu temperamento ameno

nada sensacional revelei, eis como eu sou

 

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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Márcia (2009)

Há um pequeno anjo menina

bastante marota e traquina

que à minha vida dá alegria

com o teu sorriso contagiante

levas a tua sempre adiante

sem ti, viver, já não saberia

 

Vives no mundo dos sonhos

tens olhos de mel, risonhos

que enchem o meu coração

és felicidade e contentamento

tens carácter e sentimento

e és mimada até mais não

 

Tu sempre serás a Princesa

de um conto cheio de beleza

teu reinado apenas começou

vive a preceito todo este dia

aproveita e goza da fantasia

que este momento propiciou

 

Agora és menina, não um bebé

não há colo, andas pelo teu pé

e a chucha que se foi embora

brinco contigo sem embaraço

dá-me o beijo, festa e o abraço

os mimos que o tio tanto adora

 

Hoje as velas tu tens de soprar

e três desejos podes encomendar

todos te permitem fazer planos

quero que tu sejas sempre feliz

aproveita bem enquanto és petiz

hoje é o dia dos teus cinco anos

 

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Domingo, 26 de Julho de 2009

Tejo (2009)

Sobranceria deste rio com mansa corrente

que nem repara no som contínuo da ponte

quanto desdém exalta rumando ao poente

sem observar o Cristo Rei no alto do monte

 

Apesar dos barcos que rasgam a sua face

e levam consigo algumas gotas atreladas

este rio persiste na altivez, não há disfarce

apenas uma certeza pelas águas passadas

 

Tu ó rio que viste a partida de marinheiros

rumo a desconhecidos portos e povoações

agora és atravessado por velhos cacilheiros

botes e uma nova geração de embarcações

 

Tu meu rio cujo passado é a nossa história

foste o início das aventuras transatlânticas

atrelado a ti está um povo e a sua memória

és tu meu Tejo, palco de cenas românticas

 

 

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Sábado, 25 de Julho de 2009

Evento (2009)

O Tejo corre indiferente à poesia

nas suas águas há quem navegue

nas margens há actividade, folia

nada invulgar advém, o dia segue

 

Mas numa esplanada à beira rio

sente-se uma atmosfera diferente

a inspiração revela o seu poderio

e aglutina a ânsia de muita gente

 

Sente-se impaciência pelo evento

que, não tarda nada, vai começar

para muitos é o grande momento

ponto alto para mais tarde evocar

 

Hoje é o dia para este livro exibir

e conhecer autores desconhecidos

talvez algum possa a fama atingir

e ver os seus poemas reconhecidos

 

Mas antes de iniciar a solenidade

há amigos que ganham um rosto

são eles que usam a virtualidade

e nos dão poesia bem a seu gosto

 

Conversa de poetas em ascensão

discursos simples, não me oponho

afinal de contas, foi a apresentação

do livro "Entre o sono e o sonho"

 

Dedico este poema à minha amiga Natália Nuno (Rosafogo), que conheci pessoalmente no lançamento do livro "Entre o sono e o sonho".  

 

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