Domingo, 11 de Janeiro de 2009

Homens, eternos tolinhos - dois exemplos (2009)

Primeiro exemplo:

 

Tive uma namorada de quem gostava

não havia nada que eu não fizesse

só a ela eu via, só ela eu amava

dava-lhe tudo o que ela quisesse

 

estava doentiamente apaixonado

até uma serenata eu lhe fiz

disse-lhe o que diz um enamorado

queria vê-la para sempre feliz

 

ela morava num oitavo andar

tive de cantar a plenos pulmões

só aos vizinhos consegui encantar

a partir desse dia foram só confusões

 

Segundo exemplo:

 

Conheci esta beleza num casamento

falávamos por telefone diariamente

assim se iniciava um sentimento

encetar namoro era urgente

 

com o número de telefone na mão

e depois de algumas conversas

fiz o que me ditou o coração

consegui a morada por portas e travessas

 

com algumas trocas de favores

a felicidade estava ao virar da esquina

mandei um enorme bouquet de flores

para ser entregue à dita menina

 

por saber que aquela não era a sua morada

liguei para o número para avisar

"Desculpe o senhor esta maçada

mas essa miúda eu quero namorar"

 

mal sabia eu o que tinha feito

ao ligar para essa maldita oficina

quando soube, apertou-se-me o peito

tinha falado com o pai da menina

 

 

Agora digam lá se não somos mesmo tolinhos quando estamos pelo beicinho

 

sinto-me: tolinho
publicado por manu às 16:01
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6 comentários:
De Velucia a 11 de Janeiro de 2009 às 17:16
Manulo

Só por isso acham-se tolos!?
Na, na, na, não!
Memso assim não o acho tolo
Foi em busca do seu interesse
Quem ama corre atrás
Busca aquilo que apetece.
Foi corajoso ao fala com o pai da menina.

Gostei da história contada em poema.
De manu a 11 de Janeiro de 2009 às 17:32
Olá Vera! Essas histórias têm quase vinte anos. Nessa em que falei com o pai da menina, quem ficou mal foi ela, que passou a ser controlada dia e noite, aquilo que parece um acto de coragem acabou por se transformar num enorme disparate. E é nesse sentido que nós nos apelidamos de tolinhos. Quando estamos a amar de verdade parece que deixamos de pensar correctamente nas situações e acabamos por fazer o errado quando achamos ser o certo. É claro que tudo isto faz parte da vida. Depois de alguns anos, e olhando para o passado, todas essas vivências são recordadas com humor, mas sempre pensamos " onde estava eu com a cabeça para fazer uma coisa dessas?". Abraço.
De Velucia a 11 de Janeiro de 2009 às 22:38
Ainda bem que recorda com humor.
Pois vinte anos se passaram.
Pensei que fosse momentos de agora.
Viver só no passado não dá!
Bola pra frente!
Viver o agora e o presente.

Um abraço.
De manu a 11 de Janeiro de 2009 às 22:49
Olá Vera! Nem mais. Eu só usei estas minhas memórias (as quais hoje só me merecem risos) para exemplificar o porquê de nos chamarmos tolinhos quando estamos a amar. Depois de ter escrito isto, liguei para um amigo meu ( ele foi um dos que me acompanharam na serenata para o oitavo andar) e rimos muito ao relembrar essa ocasião. Na altura pareceu um gesto muito romântico mas hoje vejo isso apenas como uma memória divertida. Abraço.
De Alexandrino Sousa a 11 de Janeiro de 2009 às 20:33

Amigo Emanuel

Mais do que os disparates que fazemos, é no nosso dia a dia que notamos que não andamos bem, que estamos "dependentes", que afinal amar é sofrer mesmo...Só que nós (nossa cabeça) não escolhemos quem amar, mas sim o coração, e aí nada a fazer...

Abraço
Alex
De manu a 11 de Janeiro de 2009 às 20:47
Amigo Alex! Estou completamente de acordo, e uma coisa leva a outra. Os disparates que fazemos não são mais do que consequências do nosso estado de alma, no momento em que estamos a amar. Os sofrimentos do amor levam-nos a perder o tino e vivemos como se não tivéssemos vontade própria. É terrível mas é verdade. Abraço.

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